Fico me perguntando, porque em 1897 um tal de Pietro Rondelli resolveu pegar sua esposa e filhas, no interior da Itália, na província de Bologna, comune de Loiano, e partir de lá para o Brasil, bom, oportunidades de emprego certo, crise para os lavradores na Itália…pode ser alguns desses fatores que levaram isso a acontecer. Chegando aqui, Pietro Rondelli foi trabalhar numa fazenda chamada Macuco, norte do estado do Rio de Janeiro, teve seu filho aqui, Antonio Rondelli, que por algum motivo que ainda não sei, morou e morreu na cidade de Manhumirim, estado de Minas Gerais, e em Manhumirim nasceram meu avô, Antonio Rondelli Filho e meu pai, Jonadab Rondeli, meu pai que junto com a família vieram morar no Rio de Janeiro, aqui meu pai conheceu minha mãe, Ana Lice Farias dos Passos, e em 1984 nasce esse que vos fala, Bruno Rondelli, que hoje, por enquanto, assina o sobrenome Rondeli, com um “l” apenas. Fico imaginando se meu antenato, Pietro, sabia oque aconteceria com essa família, não sei se ele veio para cá pensando nisso, em prosperidade, em transformar seu nome forte, em deixar um legado, uma história, talvez ele tenha saído de lá corrido, sem dinheiro, desesperado, imaginando que aqui, nessa terra tupiniquim, fosse bem acolhido, enfim, eu realmente não sei, minha família não é muito de guardar o que os seus antepassados foram ou fizeram, justamente por isso acredito que nada de mais foi feito, por eles. E hoje? O que poderíamos fazer?
Meu avô não teve muitos irmãos, e ele é o único que está vivo hoje, não conheço muito a família, não sei quantos tios avós, avôs eu tenho, quantos tios e primos, enfim, estão espalhados por ae, não sei fazendo o que, os que conheço não deram muitas alegrias a família, meu tio Jorge, primeiro filho do meu avô, morreu prematuramente em um acidente numa construção civil, seu filho e meu primo, Cristiano Rondelli, foi assassinado esse ano por envolvimento com o tráfico de drogas, meu outro tio, João Batista Rondelli, foi preso por molestar a própria filha, ficou alguns anos preso e foi libertado ano passado, sinceramente, não acredito em recuperação para certos tipos de crimes, meu tio teve 5 filhos, a Roberta, no qual não tenho notícias, Eve, que mora no Rio de Janeiro e não sei muito sobre ela, Antonio (Tony) que já é pai e mora no Rj também, Gabriel, que anda fazendo suas estripulias por lá e a Tayssa, que também não escuto boas notícias vindo dela. Meu outro tio, Cesar Rondelli não teve filhos, é pintor, construtor, chegou a casar, mas não durou muito, é uma pessoa vagante, que me pedia dinheiro quando me via voltar do trabalho, não tenho noticias dele hoje, meu outro tio, Carlos Rondelli, é casado, pela segunda vez, o Rodrigo, que convivi muito durante a infância e que eu gostava e gosto muito ainda, mesmo não sabendo muita coisa sobre ele, e o Pedro Henrique, filho do segundo casamento com a Andreia, hoje leva uma vida boa em comparação aos irmãos, minha tia Roney, mora em Caratinga (MG), casou com o tio Machado, e teve duas filhas, a Jerusa, também casada e com 2 filhos e a Raquel, hoje noiva, a familia anda bem por lá, mesmo com alguns conflitos, tem também minha tia Renoi, que morou muito tempo no Rio de Janeiro (capital) na mesma casa onde moraram meus avós, passei muito tempo da minha infância por lá, lugar que eu adorava ficar, minha tia teve 2 filhos, a Renata, que é dançarina e hoje estuda Direito, mãe também, e meu primo Vinícios. Meu pai e nossa parte da família fomos estáveis por muito tempo, ficávamos firmes diante dos tropeços e queda dos pilares da outra parte da família, até que veio o divórcio, dai todo mundo se distanciou, hoje tenho 3 tios morando na mesma cidade, 1 tia morando quase na divisa RJ/MG, 1 tia morando em MG, a minha família está toda no Rio de Janeiro, meu pai mora no mesmo bairro onde nós morávamos, minha mãe, praticamente casada novamente, mora com minha irmã no outro extremo da cidade, e eu moro em São Paulo, Jaú, interior. Eu fico olhando o que aconteceu, como a familia foi se dissolvendo aos poucos e que hoje vejo desse modo, de joelhos, será que o Pietro imaginava que hoje, mesmo diante do esforço, da distância, do desconhecido, a família que ele pôs no Brasil, estaria desse jeito? Acredito que não. E vem daí a essência do desejo de cidadania, de fazer o caminho inverso, de voltar as origens, e viver bem, de ser feliz, eu quero que esse desejo de ter uma familia unida, que respeite os outros seja sempre lembrado e seguido como regra, quero colocar o nome Rondelli nos trilhos novamente, posso estar sendo confiante demais, talvez nem saia desse país, mas espero que a história se reescreva da maneira que ela surge na minha cabeça.
Não é novidade pra ninguém, eu nunca fui patriota, e com o tempo e com o amadurecimento fui sendo menos ainda, acho esse país injusto, violento e estou farto dele, não é novidade pra ninguém, eu sou agnóstico, descobri isso porque me achava ateu, bom, alguns vão dizer, “então pra você há esperança”, sim, lógico, se ele vier mesmo eu vou queimar a língua, e dae?, não é novidade pra ninguém, sou totalmente apolítico, lógico, aqui essa história de política não funciona e nunca vai funcionar, por isso não vou perder meu tempo com isso.
Se tenho que agradecer a alguém por me abrir os olhos para meu reconhecimento de cidadania, essa pessoa é a Bruna, pessoa essa que eu encontrei pelos chats de internet da vida e que me fez mudar de estado, ela é tão agnostica, apolitica e principalmente, antipatriota quanto eu, e seu sonho é simplesmente acordar no continente europeu e de poder tirar fotografias de verdade para rechear seus álbuns cibernéticos espalhados por ae. Se meu primeiro sentimento de poder realizar esse sonho dela e que passou a ser meu também não tivesse existido, acho que nunca teria acordado para o fato que esse meu cognome, que tem nome de comida, que sempre foi zuado nos colégios por ae e estampado páginas policiais e jogado no lixo, precisa ser reerguido e reestruturado. Obrigado Bruna, por ser minha companheira nisso e em tudo, eu sei que agora você está longe, mas eu estou doido pra que você chegue em casa e me ligue pra dá boa noite, descansa bem, e até amanhã…tchal.